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SBOC REVIEW

Dados de seguimento de 9 anos de anti-PD-1 adjuvante em melanoma estágio III/IV

Título em inglês:

Nivolumab for Resected Stage III or IV Melanoma at 9 Years.

Título em português:

Nivolumabe para melanoma ressecado em estágio III ou IV após 9 anos

Citação:

Ascierto PA, Del Vecchio M, Merelli B, Gogas H, Arance AM, Dalle S, et al. Nivolumab for Resected Stage III or IV Melanoma at 9 Years. N Engl J Med. 2026 Jan 22;394(4):333-342. doi: 10.1056/NEJMoa2504966.

Resumo do artigo:

Os dados finais do estudo de fase 3 CheckMate 238, após seguimento de nove anos, confirmam o benefício duradouro do nivolumabe como terapia adjuvante em pacientes com melanoma ressecado em estádios IIIB–C ou IV.

O CheckMate 238 comparou nivolumabe ao ipilimumabe e demonstrou vantagem sustentada em sobrevida livre de recorrência para o anti-PD-1. Os pacientes foram randomizados na proporção de 1:1 para receber nivolumabe (na dose de 3 mg/mg a cada 2 semanas) ou ipilimumabe (na dose de 10 mg/kg a cada 3 semanas, durante quatro ciclos, e posteriormente a cada 12 semanas) por até 1 ano, recorrência da doença ou toxicidade proibitiva. O desfecho primário foi sobrevida livre de recorrência e os desfechos secundários incluíram a sobrevida global, a sobrevida livre de metástases à distância e segurança.

Após um acompanhamento de quase 9 anos (107 meses), a duração mediana da sobrevida livre de recorrência foi de 61,1 meses com nivolumabe e 24,2 meses com ipilimumabe (HR, 0,76; IC 95%, 0,63 a 0,90); ou seja, redução de 24% no risco de recorrência. Em nove anos, 44% dos pacientes tratados com nivolumabe permaneceram livres de recorrência, frente a 37% no grupo controle.

Entre os pacientes com melanoma em estádio III, a sobrevida livre de metástases à distância também favoreceu o nivolumabe, com mais de nove anos de mediana, enquanto no grupo do ipilimumabe foi de 83,8 meses. As taxas em nove anos foram de 54% e 48%, respectivamente, indicando melhor controle da disseminação da doença (HR para metástases à distância, 0,81; IC 95%, 0,65 a 1,00).

A sobrevida global foi semelhante entre os grupos, com 69% dos pacientes vivos no braço do nivolumabe e 65% no do ipilimumabe em nove anos. Não foram observados novos eventos adversos tardios, e menos pacientes tratados com nivolumabe necessitaram de terapias sistêmicas subsequentes.

Esses resultados reforçam o nivolumabe como padrão no tratamento adjuvante do melanoma de alto risco, com benefício consistente e durável no controle da doença e perfil de segurança favorável a longo prazo.

Comentário do avaliador científico:

O tratamento adjuvante do melanoma de alto risco em pacientes submetidos à cirurgia transformou o panorama dessa doença. Diversos regimes de terapia adjuvante foram testados nas últimas décadas. Devido às melhorias significativas na sobrevida livre de recidiva, os anti-PD-1 e os inibidores de BRAF-MEK (para melanoma com mutação BRAF) são atualmente utilizados como tratamentos adjuvantes padrão para melanoma em estágios III-IV ressecados. A maioria dessas terapias demonstrou aumento na sobrevida livre de recidiva (SLR), mas com impacto limitado na sobrevida global (SG).

O impacto da imunoterapia adjuvante anti-PD-1 na SG em pacientes com melanoma de alto risco não está claro. Apesar das melhorias na SLR em estudos randomizados como KEYNOTE-054 e CheckMate-238, benefício em SG não foi demonstrado. Uma possível explicação para este cenário do CM238 é em virtude do ipilimumabe ser um controle ativo, que apresentou o desempenho esperado com base nos dados do estudo EORTC 18071, o que pode ter reduzido a probabilidade de detectar esse ganho. Além disso, a disponibilidade de tratamento subsequente eficaz após a recorrência pode ter influenciado. De qualquer forma, os dados do CheckMate 238 são robustos. Nos dias de hoje, devem ser ponderados com os novos dados de imunoterapia neoadjuvante/perioperatória – por exemplo, os apresentados pelo estudo NADINA, que demonstrou benefício com imunoterapia neoadjuvante em melanoma ressecável estágio IIIB-IVC.

Avaliador científico:

Dr. Mateus Marinho Nogueira Soares

Oncologista Clínico pelo ICESP/FMUSP – São Paulo/SP

Oncologista no grupo CROMA, no Instituto Nacional de Câncer (INCA) e no Instituto Nacional de Ortopedia e Traumatologia (INTO)

Instagram: @mateusmns

Cidade de atuação: Rio de Janeiro/RJ