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SBOC REVIEW

Novo ADC supera quimioterapia em carcinoma de nasofaringe avançado politratado

Título em inglês:

Izalontamab brengitecan, an EGFR and HER3 bispecific antibody–drug conjugate, versus chemotherapy in heavily pretreated recurrent or metastatic nasopharyngeal carcinoma: a multicentre, randomised, open-label, phase 3 study in China

Título em português:

Izalontamab brengitecan, anticorpo-droga conjugado biespecífico contra EGFR e HER3, versus quimioterapia em carcinoma de nasofaringe recorrente ou metastático intensamente politratado: estudo fase 3 multicêntrico, randomizado e aberto conduzido na China

Citação:

Yang Y, Zhou H, Tang L, Qiu S, Han Y, Ji D, et al. BL-B01D1–303 Investigators. Izalontamab brengitecan, an EGFR and HER3 bispecific antibody-drug conjugate, versus chemotherapy in heavily pretreated recurrent or metastatic nasopharyngeal carcinoma: a multicentre, randomised, open-label, phase 3 study in China. Lancet. 2025 Nov 8;406(10516):2235-2243. doi: 10.1016/S0140-6736(25)01954-3.

 

Resumo do artigo:

O carcinoma de nasofaringe recorrente ou metastático apresenta prognóstico desfavorável após progressão à quimioterapia baseada em platina e à imunoterapia com inibidores de PD-1/PD-L1. Trata-se de um tumor com características biológicas particulares, frequentemente associado à infecção pelo vírus Epstein–Barr (EBV), especialmente em regiões endêmicas da Ásia. Nesse cenário, as opções terapêuticas disponíveis após múltiplas linhas de tratamento são limitadas e frequentemente associadas a benefício clínico modesto.

O estudo fase 3 BL-B01D1–303 avaliou a eficácia e segurança do izalontamab brengitecan, um anticorpo-droga conjugado (ADC) biespecífico direcionado simultaneamente aos receptores EGFR e HER3, em comparação à quimioterapia de escolha do investigador em pacientes com carcinoma de nasofaringe recorrente ou metastático previamente tratados. O racional dessa abordagem baseia-se na expressão frequente desses receptores em tumores de nasofaringe e na capacidade dos ADCs de entregar seletivamente agentes citotóxicos às células tumorais.

Trata-se de um estudo multicêntrico, randomizado e aberto, conduzido em 55 centros na China. Foram incluídos 386 pacientes entre 18 e 75 anos com carcinoma de nasofaringe recorrente ou metastático com progressão após pelo menos duas linhas de tratamento sistêmico, incluindo quimioterapia contendo platina e imunoterapia com bloqueio de PD-1/PD-L1. Os participantes foram randomizados (1:1) para receber izalontamab brengitecan 2,5 mg/kg intravenoso nos dias 1 e 8 de ciclos de 21 dias ou quimioterapia de escolha do investigador, incluindo esquemas como capecitabina ou gemcitabina.

Os desfechos primários do estudo foram taxa de resposta objetiva (TRO) avaliada por revisão central independente e sobrevida global (SG). Entre os desfechos secundários estavam sobrevida livre de progressão (SLP), duração de resposta e segurança.

O tratamento com izalontamab brengitecan demonstrou atividade antitumoral significativamente superior à quimioterapia. A TRO foi de 54,6% (IC 95% 45,2%-63,8%) no braço do ADC, em comparação com 27,0% (IC 95% 19,1%-36,0%) no braço de quimioterapia. A mediana de duração de resposta foi de 8,51 meses (IC 95% 6,97–NA). A mediana de sobrevida livre de progressão (SLP) por revisão central independente foi de 8,38 meses (IC 95% 6,37–9,92) no braço do ADC versus 4,34 meses (IC 95% 4,04–5,62) no braço de quimioterapia (HR 0,44; IC 95% 0,32–0,62). O tempo mediano para resposta foi de 1,54 meses em ambos os braços. O tempo mediano para resposta foi de 1,54 meses. A sobrevida global ainda apresentava dados imaturos.

Em relação à segurança, eventos adversos relacionados ao tratamento foram frequentes, porém manejáveis. Toxicidades grau ≥3 ocorreram em proporção relevante dos pacientes tratados com o ADC, sendo as mais comuns citopenias, especialmente neutropenia e anemia. Eventos adversos oculares também foram observados, consistentes com o perfil de segurança descrito para outros anticorpos-droga conjugados. De modo geral, o perfil de segurança foi considerado administrável com medidas de suporte e ajustes de dose.

Esses resultados sugerem que a estratégia de direcionamento simultâneo a EGFR e HER3 associada à entrega seletiva de agente citotóxico por meio de um ADC pode representar uma alternativa terapêutica promissora para pacientes com carcinoma de nasofaringe avançado e politratados.

 

Comentário da avaliadora científica:

O manejo do carcinoma de nasofaringe recorrente ou metastático após falha à quimioterapia baseada em platina e à imunoterapia permanece um cenário de necessidade clínica não atendida. Em linhas tardias, agentes citotóxicos como capecitabina ou gemcitabina são frequentemente utilizados, porém com taxas de resposta modestas e benefício clínico limitado.

O estudo BL-B01D1–303 avaliou o izalontamab brengitecan, um anticorpo-droga conjugado biespecífico direcionado aos receptores EGFR e HER3, demonstrando atividade antitumoral expressiva, com taxa de resposta objetiva de 54,6% versus 27,0% com quimioterapia e redução significativa do risco de progressão ou morte (HR 0,44; IC 95% 0,32–0,62).

É importante considerar que a maioria dos casos de carcinoma de nasofaringe em regiões endêmicas apresenta associação com o vírus Epstein–Barr, cuja biologia tumoral pode diferir de tumores não relacionados ao EBV. Dessa forma, embora os resultados sejam encorajadores, a extrapolação para outras populações deve ser interpretada com cautela.

Ainda assim, os dados reforçam o potencial dos ADCs biespecíficos como estratégia terapêutica promissora para pacientes com carcinoma de nasofaringe avançado politratado.

 

Avaliadora científica:

Dra. Nathália Gimenes Afonso

Oncologia Clínica pelo Hospital de Câncer de Barretos

Oncologista atuante em tumores torácicos e de cabeça e pescoço no grupo Oncoclínicas

Fellowship em Oncologia Torácica e Câncer de Cabeça e Pescoço pelo Instituto Oncoclínicas

Membro dos Comitês de Jovens Oncologistas da SBOC e do GBOT

Instagram: @nathalia_gimenes

Cidade de atuação: São Paulo/SP