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SBOC REVIEW

Retratamento com conjugado droga-anticorpo após pneumonite grau 1 é seguro?

Título em inglês:

Pooled analysis of trastuzumab deruxtecan retreatment after recovery from grade 1 interstitial lung disease/pneumonitis

Título em português:

Análise agrupada de retratamento com trastuzumabe deruxtecana após recuperação de doença pulmonar intersticial/pneumonite de grau 1

Citação:

Rugo HS, Tokunaga E, Iwata H, Petry V, Smit EF, Goto Y, et al., Pooled analysis of trastuzumab deruxtecan retreatment after recovery from grade 1 interstitial lung disease/pneumonitis. Ann Oncol. 2025. Nov;36(11):1389-1399. doi: 10.1016/j.annonc.2025.07.015

Resumo do artigo:

Esta análise agrupada caracterizou o retratamento com trastuzumabe deruxtecana (T-DXd) e a recorrência de doença pulmonar intersticial (DPI) após a resolução de um evento grau 1, ou seja, assintomático e diagnosticado apenas radiologicamente. Foram coletados dados de nove ensaios clínicos, de fases I a III, totalizando 2.145 pacientes.

Foram incluídos pacientes com câncer de mama (HER2-positivo ou HER2-low); câncer gástrico HER2-positivo; câncer de pulmão não pequenas células (CPNPC) HER 2-positivo ou com mutação em HER2; ou com outros tumores sólidos. Todos haviam recebido ao menos uma dose de T-DXd (5,4-8,0 mg/kg).

O primeiro evento confirmado de DPI grau 1 foi definido como DPI1. Foram analisados dados de pacientes retratados com T-DXd após recuperação da DPI1, quanto à duração do retratamento e à recorrência de DPI. Eventos subsequentes confirmados de DPI de qualquer grau foram definidos sequencialmente como DPI2, DPI3 e assim por diante.

Dos 2.145 pacientes incluídos, 9,0% (193/2.145) apresentaram DPI1 grau 1. Destes, 23,3% (45/193) foram retratados após a resolução do evento. A maioria dos pacientes retratados [64,4% (29/45)] recebeu dose inicial de T-DXd de 5,4 mg/kg; não apresentava comorbidades pulmonares (93,3%); tinha saturação de oxigênio ≥ 95% (95,6%), e função renal basal normal (40%).

Entre os 45 pacientes retratados, o tempo mediano até o surgimento da DPI1 foi de 210 dias (intervalo: 37–750 dias). O tempo mediano até o reinício do T-DXd foi de 28 dias. A duração mediana do retratamento sem progressão de doença foi de 85 dias.

A dose de retratamento com T-DXd foi mantida em 68,9% dos casos. No ponto de corte de dados desta análise, o retratamento ainda estava em andamento em 24,4% (11/45). Após o retratamento, 13,3% apresentaram progressão de doença, 4,4% intensificação de resposta, e o restante manteve a melhor resposta prévia. Um terço dos pacientes (15/45) seguiram T-DXd sem progressão de doença por ao menos 6 meses, e 17,8% (8/45) por ao menos 12 meses. 33,3% descontinuaram o tratamento por progressão de doença, em geral nos primeiros 6 meses.

Um novo episódio de pneumonite (DPI2) foi observado em 33,3% dos pacientes, com tempo mediano de surgimento após início do retratamento de 64 dias. A DPI2 foi relacionada à interrupção do tratamento em 20% dos casos. Não houve eventos acima de grau 2; foi observada DPI2 grau 1 em 40% (6/15) e grau 2 em 60% (9/15) dos pacientes. Oito pacientes (8/9) que apresentaram DPI2 grau 2 haviam sido tratados com T-DXd sem redução de dose. O retratamento com T-DXd manteve a melhor resposta tumoral em 93,3% (14/15) dos pacientes que apresentaram DPI2; e apenas um paciente desenvolveu progressão da doença após uma resposta parcial inicial.

Entre os pacientes retratados com T-DXd que evoluíram com DPI1, 68,9% (31/45) receberam corticosteroides como parte do manejo. O tempo mediano para recuperação da DPI1 foi de 24 dias nos pacientes tratados com corticosteroides e de 19,5 dias nos não tratados. Entre os pacientes com DPI2, 53,3% (8/15) receberam corticosteroides, com duração mediana do tratamento de 40 dias, e 75,0% (6/8) se recuperaram ou se recuperaram com sequelas ou fibrose.

Comentário da avaliadora científica:

Esta é, até o momento, a maior análise dos desfechos do retratamento com T-DXd após resolução de DPI grau 1. Entre os pacientes reexpostos, 66,7% não apresentaram recorrência de DPI e, entre aqueles que evoluíram com recorrência (33,3%), não houve eventos graves. Além disso, 53,3% dos pacientes com DPI recorrente receberam corticosteroides, dos quais 75% apresentaram recuperação completa ou com sequelas, sugerindo segurança na reexposição ao T-DXd. Entretanto, o número relativamente baixo de pacientes com recorrência limita análises mais robustas sobre fatores associados à ocorrência e à recorrência de DPI.

Permanecem questões relevantes quanto à melhor estratégia de manutenção ou redução de dose na reexposição. Nesta análise, a maioria dos pacientes com DPI2 grau 2 foi tratada sem redução de dose. Por enquanto, pouco se sabe sobre o melhor perfil de paciente para uma reexposição ainda é limitada. Padrões de vidro fosco com dano alveolar difuso associam-se a pior prognóstico e resistência à corticoterapia, podendo representar critério de exclusão para retratamento. Assim, embora o retratamento com T-DXd possa maximizar o benefício terapêutico, são necessários mais dados para definir com precisão os critérios ideais de seleção de pacientes.

Avaliadora científica:

Dra. Mariana Pereira Ferreira

Oncologista Clínica pela UNIFESP

Fellow em Oncologia Clínica pela Beneficência Portuguesa de São Paulo

Título de Especialista de Oncologia Clínica pela SBOC/AMB

Instagram: marianaferreira.oncologia

Cidade de atuação: Manaus/AM